A ESPN usou sua programação e as redes sociais para se posicionar contra uma onda de ataques contra o jornalista Caê Vasconcelos. O caso aconteceu após a participação do profissional no Mina de Passe, programa sobre o futebol feminino, na última sexta-feira, 31 de julho.
Caê recebeu uma série de comentários transfóbicos nas redes sociais. Mediante a confusão, a ESPN emitiu um comunicado.
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“A The Walt Disney Company no Brasil e a ESPN repudiam e lamentam veementemente os ataques transfóbicos, sujos e covardes, proferidos contra o profissional Caê Vasconcelos em um recorte, postado em nossas redes sociais, de uma opinião sua dada no programa Mina de Passe da sexta-feira 31 de julho de 2026”, disse o texto, primeiramente.
“Informamos que todo o apoio foi, é e continuará sendo prestado ao Caê e que a Disney e a ESPN seguem firmes e atuantes no propósito de combater qualquer tipo de preconceito ou discriminação, não importando a sua origem”, acrescentou em seguida.
Ataques transfóbicos nas redes sociais marcaram a participação de jornalista na ESPN
Caê Vasconcelos destacou que trabalhar com futebol feminino é um sonho que começou a ser realizado após anos de estudo e dedicação. Segundo ele, os ataques não irão impedir sua permanência no espaço que conquistou profissionalmente.
“Agora que esse sonho tem se realizado, não vou permitir que a transfobia me tire daqui. Não é fácil lidar com ódio, única e exclusivamente por eu ser quem eu sou”, disse.
O jornalista também criticou comentários que questionam sua aparência, voz ou corpo por ele ser um homem trans. Para Caê, manifestações dessa natureza ultrapassam os limites da crítica profissional e representam uma forma de violência.
“Nem deveria ser normal um jornalista ser diminuído pela voz, pela aparência, pelo corpo ou por qualquer outro motivo baseado em ódio. Isso é questionar a minha humanidade. E, quando isso acontece, todos nós perdemos. Sou um homem trans, sim. E tenho orgulho imenso de ser quem eu sou”, acrescentou, em seguida.
Na manifestação, Caê ainda chamou atenção para a violência enfrentada pela população trans e para as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho formal. Ele ressaltou que a presença de pessoas trans em diferentes áreas profissionais também representa uma conquista coletiva.
“Pessoas trans sempre existiram, mas muitas perderam a vida antes de chegar a lugares como este. Estou aqui por elas e por todas as pessoas trans que ainda vão ocupar todos os espaços que são nossos por direito. O futebol é um deles”, afirmou.
Ao encerrar sua fala, o jornalista afirmou que não pretende se desculpar por sua identidade nem abrir mão dos espaços profissionais que conquistou.
“Nunca vou pedir desculpa por existir. E também não vou deixar que me apaguem dos espaços que conquistei com competência. Nós não somos um debate. Transfobia não é opinião. É crime. É violência”, concluiu.
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Imagem: ESPN
